1 · O ponto de partida
Quando eu cheguei, ela tinha 5 anos de perfil e 2 mil seguidores.

A Sarah faz pamonha 100% milho verde em São José dos Campos. Ela acordava à 1h da manhã para buscar milho no Ceasa, cuidava do Instagram sozinha e vendia umas 10 pamonhas por dia, numa loja que muita gente dizia estar no ponto errado.
Ela não tinha agência, não tinha equipe de marketing e não anunciava. Tinha um produto bom e uma história forte que ninguém conhecia. É esse o ponto de partida de quase todo comércio local que eu atendo.
2 · Uma tarde como sócio
Antes de gravar qualquer coisa, eu ouvi a história dela.

Eu sentei com a Sarah como se fosse sócio e fiz o que quase ninguém faz antes de produzir conteúdo: deixei ela contar tudo. Como começou, o que deu errado, por que o produto é diferente e o que a pamonha significa para ela.
As perguntas que eu faço nessa conversa:
- Como esse negócio começou? Qual foi o momento mais difícil?
- O que o seu produto tem que o do concorrente não tem?
- Quem é o seu cliente e por que ele volta?
- O que você ouviu das pessoas quando decidiu abrir?
- O que esse negócio significa para você?
Dessa conversa saíram os 3 roteiros. E foi ali que apareceu a frase que virou a alma do conteúdo: "Não é sobre pamonha. É sobre amor, memória afetiva, recomeço e coragem."
3 · Os 3 vídeos
Três vídeos, cada um com uma função.
Não adianta postar muito. Cada vídeo tem um papel no caminho de quem ainda não conhece o negócio até virar cliente. Um atrai, um conecta e o outro gera confiança.
Vídeo 1 · Captação
Atrair gente nova, da cidade, que ainda não conhece a loja.
É o vídeo que roda no anúncio. Começa com um gancho regional, para quem é da cidade parar de rolar a tela.
"Você sabia que em São José dos Campos tem uma pamonharia onde é feito com milho de verdade?"
Vídeo 2 · História
Contar quem está por trás do balcão. Fixado no perfil, sem anúncio.
Quem chega pelo vídeo de captação clica no perfil e encontra a história dela fixada logo no topo. É ele que cria conexão no primeiro contato.
"Eu sou a Sarah, da Pamonharia Goiana. E isso aqui nunca foi só sobre pamonha. Porque pra mim, pamonha é amor, é liberdade. Hoje, cada detalhe desse cantinho tem um pedaço da minha história. Pamonharia Goiana: feita de milho, coragem e amor."
Vídeo 3 · Collab
Uma parceria com quem já tem público na cidade.
No caso da Sarah, foi uma collab com o Fica Dica, a maior página de dicas de São José dos Campos. O vídeo sai no perfil dos dois ao mesmo tempo: aumenta o alcance e empresta a confiança de quem o público da cidade já segue.
A ordem importa: a collab e a história vão ao ar primeiro. O anúncio entra depois, empurrando o vídeo de captação para quem é da cidade.
4 · O roteiro com IA
A IA escreveu os roteiros. Mas não do jeito que todo mundo usa.
A maioria abre o ChatGPT e pede "escreve um roteiro para uma pamonharia". O resultado é genérico, poderia ser de qualquer loja, e conteúdo genérico não vende.
- Grave a conversa com o dono do negócio (pode ser no celular).
- Transcreva o áudio e cole na IA.
- Peça um resumo antes do roteiro e confira se ela entendeu o negócio.
- Só então peça os roteiros, um para cada função.
Os comandos que eu uso, prontos para você copiar:
Comando 1 · O resumo
Abaixo está a transcrição de uma conversa com o dono de um negócio local. Antes de escrever qualquer conteúdo, me devolva um resumo com: 1. a história do negócio, do começo até hoje; 2. o que torna o produto ou o serviço diferente dos concorrentes; 3. quem é o cliente e por que ele volta; 4. os 3 momentos mais emocionantes da conversa; 5. 3 frases ditas pelo dono que mostram a personalidade dele. Não invente nada que não esteja na transcrição. [cole aqui a transcrição]
Comando 2 · O vídeo da história
Com base nesse resumo, escreva o roteiro de um vídeo de até 40 segundos, em primeira pessoa, na voz do dono. Comece com o nome dele e do negócio, conte a origem em frases curtas, use pelo menos uma das frases que ele disse e termine com o nome do negócio e o que ele representa. Linguagem simples, como ele fala, sem termos de marketing.
Comando 3 · O vídeo de captação
Agora escreva o roteiro de um vídeo de 15 a 20 segundos para atrair moradores de [sua cidade] que ainda não conhecem o negócio. Comece com "Você sabia que em [sua cidade] tem um(a) [tipo de negócio] que [diferencial]?", mostre o produto em 2 ou 3 frases e termine convidando a pessoa a seguir o perfil e visitar a loja.
5 · O anúncio
R$ 15 por dia, durante 10 dias. E quem apertou o botão foi ela.
Para decidir quanto investir, eu uso uma regra simples: o valor de um produto por dia. Uma pamonha custa R$ 15, então o anúncio ficou em R$ 15 por dia. Se ele trouxer pelo menos uma venda por dia, já se pagou, e você validou que o tráfego funciona para o seu negócio.
Nada de gerenciador de anúncios complicado. Numa videochamada, eu mostrei para a Sarah como turbinar o vídeo direto pelo Instagram, no celular dela:
| Objetivo | Mais visitas ao perfil |
| Público | Pessoas da região de São José dos Campos, a partir de 23 anos, com interesse em comida |
| Orçamento | R$ 15 por dia |
| Duração | 10 dias |
| Onde aparece | Só no Instagram |
| Vídeo | O de captação |




Os prints são da chamada em que montamos o anúncio juntos, em 11 de junho.
6 · 11 dias depois
De 2.009 para 6.850 seguidores. E de 10 para mais de 100 pamonhas por dia.

Quando eu voltei na loja, a produção estava a 100%, ela precisava de gente para ajudar e tinha cliente chegando de outras cidades: Mogi das Cruzes, Taubaté, Jacareí, Bertioga. Um dos vídeos passou de 1.500 compartilhamentos.
"Você mudou a minha vida." Foi o que ela me disse naquele dia.
7 · O erro depois do viral
Viralizar é a parte mais fácil. O difícil é manter.

No mês seguinte, com a loja cheia, a Sarah fez o que quase todo negócio faz depois de crescer: postou menos e parou o anúncio. As conversas no Instagram caíram pela metade. Quando o anúncio voltou, tudo voltou ao normal.
Por isso eu deixei com ela 3 regras:
- Nunca deixe o tráfego parar.
- Proteja a constância, mesmo com a loja cheia.
- Continue fazendo o certo, que o resultado vem.
8 · Hoje
20,7 mil seguidores.

Em 5 anos, ela tinha chegado a 2 mil. A história inteira virou a série Sócio por um Dia, no meu perfil.
E o seu negócio?
Não foi sorte. Foi estratégia.
A Pamonharia não precisou de um orçamento grande. Precisou de direção: saber o que falar, para quem falar e onde colocar R$ 15 por dia. Uma estratégia bem feita, bem estruturada e com acompanhamento leva qualquer negócio a resultados que pareciam distantes.
É isso que a gente faz todos os dias no Grupo Altares, com empresários de vários segmentos:
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